Conhecer Viena em 3 dias | Viajar Sozinha

Para mim Viena é a cidade mais bonita que vi até hoje. É majestosa, uma verdadeira Rainha. É um museu a céu aberto, é uma cidade rica em cultura e arte. É intelectual, elegante, limpa e… é deslumbrante…

Durante esta minha viagem estive em outras capitais europeias bem próximas a Viena, e pude constatar que ao contrário desta, se observam resquícios da guerra, tristeza e terror (no caso de Budapest, é um bom exemplo), em Viena não, vemos arte, esperança e muita riqueza.

A cidade não escapou à guerra, mas soube reerguer-se e reconstruir-se sem igual.

Passei 3 dias em Viena, sozinha, eu preferia até dizer, comigo mesma, pois solidão foi um sentimento que não senti nem por 1 minuto durante esta maravilhosa aventura.

No final deste artigo irei responder a algumas questões sobre a minha viagem que me foram colocadas através do meu Instagram.

PALÁCIO BELVEDERE

Foi o Palácio que me deu as boas vindas a Viena pela sua proximidade à estação de comboios onde cheguei a partir de Bratislava (Eslováquia). É considerado um dos edifícios barrocos mais bonitos do Mundo, com jardins cuidados, organizados e com fontes por todo o jardim que o tornam esplêndido, e claro além de ter a maior coleção de arte austríaca do País.

HOCHSTRAHLBRUNNEN

Ao sair dos jardins do palácio, virando à esquerda e seguindo em frente cheguei à praça Hochstrahlbrunnen, onde encontrei uma fonte e uma estátua bem alta de um soldado, em homenagem aos Heróis do Exercito Vermelho, aos Russos, que morreram a lutar contra os Nazis na 2ª Guerra Mundial e que desta forma libertaram Viena do regime Nazi.

 

KARLZPLATZ

Na praça Karlz encontrei a lindíssima Igreja Barroca de São Carlos (Karlzkirche). Viena sofreu bastante com a peste e São Carlos Borromeu é considerado o santo curador da peste. O imperador Carlos VI prometeu construir uma igreja em homenagem ao santo e, em troca, a peste deveria ser afastada da cidade. E assim foi.

NASHMARKT

É o mercado mais conhecido em Viena, ficava a 1minuto do meu hotel, cheguei a visita-lo 3 vezes em horários diferentes e sem dúvida que o melhor foi quando visitei num dia de semana pela hora do almoço. Ao sábado tem demasiada gente e muitas lojas fecham antes das 14h. Ao domingo praticamente tudo está fechado em Viena, incluindo o mercado. Este mercado de rua é bem compridão, com muitas bancas de comidinhas, alguns restaurantes, muita variedade de queijo e fruta extremamente caros (paguei 1,50€ por 1 pêssego); especiarias e chás; sumos de fruta; algumas bancas com senhores um tanto atrevidos que gritam “marry me” e tentam oferecer amostras de falafel; algum marisco e artigos de pesca; pães rústicos e bolos a preços convidativos; gelados e lojinhas de suvenires.

ÓPERA

Viena é a mãe da “ópera” e da “valsa”, a capital da música clássica. Sem saber ao caminhar na minha própria companhia depois do jantar pelas ruas iluminadas e quentes de Viena choquei de frente com uma tela enorme à porta da Ópera. Fiquei a saber que durante o Verão, em certas noites projetam o espetáculo ao vivo, em direto, tudo o que está a acontecer dentro da Ópera, para que todos os apaixonados por esta arte possam assistir ao ar livre e de forma gratuita. Não estava nada à espera e foi uma surpresa muito agradável, acabei por sentar-me um pouco no chão da praça para deliciar este momento. Fiquei a saber que a programação destes espetáculos ao ar livre acontecem em abril, maio, junho e setembro. Podem ver toda a programação através do site da Opera.

HOTEL SACHER

Existe o Hotel, onde não vos vão deixar entrar; existe o "café antigo" (onde vocês têm mesmo que entrar, é lindo) e ainda existe o "café novo”, este existe há pouco tempo devido à grande procura e filas intermináveis (depende das horas e épocas) para o "café antigo” o tão conhecido Café Sacher. O meu conselho, entrem no antigo claramente! Odeio filas, não gosto de esperar tendo uma cidade tão linda por conhecer, masss valeu a pena estar na fila 15min, não estava assim tanta gente e a fila até que diminuiu bem antes do que eu esperava. Bem mas deixem-me então contar-vos o que este café tem de tão famoso. O Bolo de Chocolate mais famoso da Áustria e do Mundo nasceu neste Hotel/Café.

A Torta Sacher foi criada em 1832 especialmente para o príncipe austríaco e conta a lenda que o príncipe adorava provar novos pratos e ordenou ao seu chef pessoal que preparasse um bolo diferente para seus convidados. No entanto o chef tinha muito que fazer na cozinha e passou essa tarefa para o aprendiz de cozinha Franz Sacher, que tinha apenas 16 anos.

O rapaz foi à despensa ver o que podia inventar com os ingredientes disponíveis e preparou um bolo de chocolate. A torta recheada com marmelada de pêssego e este paladar sem igual conjugado com o sabor do bolo de chocolate, deixou o príncipe e os seus convidados deliciados. Foi assim que o aprendiz de cozinha se tornou um sucesso profissionalmente. O mesmo nunca revelou a receita e, quando faleceu, a deixou de herança ao seu filho, que fundou o atual Hotel Sacher. O local ficou muito famoso e era (e é) frequentado pela alta sociedade. E assim aconteceu, começaram a vender no café do hotel a Torta Sacher original.

Em qualquer café que se preze em Viena podem encontrar tortas semelhantes a esta no seu aspeto, no entanto, é apenas neste café que é possível provar a receita original da torta. As “tortas Sachers” estão presentes nos cardápios de confeitarias ao redor do mundo e todo mundo afirma ter uma receita “bastante parecida” à original.

Sem querer estragar toda esta história romântica e mágica, eu entrei no café Sacher, sentei-me numa das mesas da sala mais bonita do café, pedi um café, bastante saboroso por sinal, e claro uma fatia da Torta Sacher Original. Veio incrivelmente perfeita, parecia photoshop. Masss (há sempre um masss) não me deixou apaixonada. Achei-a realmente digna e majestosa, mas achei que era seca e com pouca dimensão no seu aroma, um sabor demasiado ténue, uma textura seca e pouco vibrante. No entanto valeu a pena toda a experiência de entrar, conhecer e experimentar. Recomendo!
 

CAFÉ CENTRAL

Acho que a melhor forma de conhecermos uma cultura é através das descobertas à mesa, ou pelo menos é uma das minhas formas favoritas de conhecer a cidade onde mergulhei, Viena. Por isso ainda na onda dos cafés famosos, entrei no famoso Café Central. Abriu em 1860 e transformou-se num dos pontos de encontro mais importantes dos intelectuais vieneses, como Peter Altenberg, Egon Friedell, Hugo von Hofmannsthal, Anton Kuh, Alfred Adler, Sigmund Freud, Adolf Loos, Leo Perutz, Alfred Polgar, Adolf Hitler e Leon Trótski.

Nos dias de hoje, o Café Central é uma atração turística e considerado um café burguês que vive da reputação do seu passado. Achei este café bem mais encantador que o Sacher (ok não devia estar a fazer comparações até porque são completamente diferentes, mas sou sincera e justa, este café tinha alguma misticidade no ar).

Foi este o café que escolhi para provar a Apfelstrudel, uma sobremesa tradicional austríaca, nascida em Viena e super famosa no Mundo.

Na Europa é conhecida como “tarte folhada de maçã”. Mas acreditem, nunca comi uma como esta. Novamente entrando em comparações, esta deu “cem a zero” à Torta de Sacher (pronto pronto, estou novamente a comparar algo demasiado distinto).

A apfelstrudel que comi era recheada com maçãs cortadas em quadrados pequenos, canela, amêndoa laminada e um género de crumble feito com migalhas de pão chocantes e a polpa cozida da maçã.

 

A massa desta tarte era fina, leve e estaladiça. Posso dizer que assisti à saída da cozinha de um tabuleiro gigante cheio delas, e olhar para ela depois de assistir a isso no meu prato, foi delicioso, mesmo antes de a provar!

Foi cozida no forno e servida ainda morna, polvilhada com canela e açúcar em pó. No menu tinha uma opção que acompanhava a strudel com gelado de baunilha, amêndoa laminada, maçã desidratada, hortelã e chantili. Não resisti e pedi a versão completa claramente! Foi de facto a melhor experiência degustativa que tive em Viena.

No Café Central têm imensos doces que com toda a certeza vale a pena provar, mas este foi o que eu elegi.
 

PALÁCIO SCHONBRUNN

Fica afastado do centro e por isso aconselho a pouparem os vossos pezinhos, apanhem o metro até lá, tem o custo de 2,40€ e chegam lá em 15min, vale a pena gastarem somente a sola quando chegarem aos incríveis, enormes e fabulosos jardins do palácio. A visita ao Palácio é paga, no entanto o acesso a todo o jardim é gratuito.

O magnífico Palácio de Schönbrunn foi a residência oficial de verão da família imperial austríaca, (composta por mais de 1500 pessoas). Considerado um dos monumentos mais charmosos da Europa. A arquitetura do castelo foi inspirada no palácio de Versalhes em França.

Uma curiosidade mágica sobre este palácio, foi na magnífica sala dos Espelhos, que Mozart, apenas com cinco anos, tocou para a corte, em 1762.

Vão encontrar fontes lindíssimas, estátuas, muitas árvores e flores sem igual, e a belíssima vista através do palácio da Gloriette, oferece uma vista linda do castelo e dos seus jardins.Ainda pelos jardins é possível encontrar o Museu das Carruagens Imperiais, com carruagens dignas do filme A Cinderela, da Disney.

 

Também há um jardim zoológico, dos melhores da Europa e o mais antigo do Mundo, e ainda um labirinto na floresta, procurem-no e percam-se nesta maravilhosa viagem. Se quiserem conhecer tudo com calma, reservem umas 4 horas para passearem sem pressa, vale muito a pena. E posso mesmo dizer, foi a minha parte favorita da viagem, amei.

Dicas importantes: levem água com vocês, se forem no Verão como eu, levei roupas soltinhas e arejadas, fruta e barras de cereais, óculos escuros e capa para a chuva (apanhei uns 20min de chuvinha, a capa salvou-me).

 

Recomendo que levem bolsinha de cintura, desta forma não andam sempre a tirar a mochila das costas para tirar fotos, assim o passeio torna-se muito mais agradável.

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Como Chegar: 
Morada: Schönbrunner Schloßstraße 47, 1130 Wien

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Linha de metro: U4 (Estação Schönbrunn)

Horário:
 Abril a Junho: das 8:30 às 17:30.
 Julho a Agosto: das 8:30 às 18:30.


Setembro a Outubro: das 8:30 às 17:30.
 Novembro a Março: das 8:30 às 17:00.

PALÁCIO HOFBURG

O Palácio Imperial de Viena é um dos maiores complexos palacianos do Mundo. O Hofburg foi residência oficial da família Habsburgo. A família imperial usava-o como a residência de inverno e o Palácio acima referido, Schönbrunn, era o palácio preferido como residência de verão.

burggarten

O jardim junto ao Palácio de Hofburg. Neste jardim podem encontrar a estátua dedicada ao Mozart, e uma estufa de palmeiras, transformada num café/restaurante, o Palmenhaus, uma construção de Arte Nova lindíssima. É um ótimo sítio para se tomar uma sidra antes de ir jantar.

catedral de santo estêvão

Catedral de Santo Estêvão

 


É uma das mais antigas catedrais do estilo gótico europeu e das mais importantes mundialmente.

KOHLMARKT

É das ruas mais antigas e famosas da cidade, fica bem no centro e tem os prédios mais antigos e mais bonitos, além de que nesta área podem encontrar as lojas mais caras do Mundo.

JULIUS MEINL AM GRABEN

Julius Meinl Am Graben
 fica num edifício que consegue ser café, restaurante, mercado, padaria, confeitaria e ainda ter um rooftop. É um autêntico império gastronómico, com uma apresentação sem igual dos produtos expostos. É bem diferentes dos supermercados habituais, zela pela boa apresentação, com muito glamour, tudo ali é bem composto, “chique” e se for para falar sobre chocolates, bem é ali que vão encontrar as embalagens de chocolate mais bonitas, brilhantes e únicas. Quanto a preços, sim é mais caro que os supermercados normais mas só pelo prazer de se estar numa local tão diferenciado, não considero um “roubo”. Mesmo que não tencionem comprar nada, vale a pena conhecer.
 

volksgarten

Volksgarten "Jardim do Povo” é um jardim que fica em frente ao Parlamento, tem um estilo francês e achei-o lindo pela sua simplicidade, tem muitas flores onde especificam as espécies das mesmas com pequenas plaquinhas legendadas. Gostei especialmente do Rosengarten, uma área dos jardins que tinha apenas rosas, de imensas cores diferentes e com cheiros incríveis.
 

ALBERTINA

Considerado o Museu de Arte mais bonito do Mundo. Com obras expostas de Monet, Picasso, Renoir, Miró, Rodin, Manet, Da Vinci, Degas. Se pretendem entrar em algum museu em Viena, é obrigatório fazerem paragem neste. A entrada tem o valor de 12,60€ e está aberto todos os dias das 10h às 18h.

prater park


É o parque de diversões mais antigo do Mundo e a famosa roda gigante construída na época da 2ª guerra mundial, com cabines vermelhas para várias pessoas, um verdadeiro charme. Este parque além de todas as atrações tem uma área verde incrível e gigante com acesso a um comboio muito querido que atravessa toda a floresta. O parque é lindo, muito verde (pelo menos no mês de Junho) e limpo, parecia que eu tinha entrado num filme, os brinquedos faziam lembrar memórias de infância, muitos deles de madeira, mesmo ao estilo antigo.

A entrada é gratuita, só pagam se quiserem experimentar as diferentes diversões, em média cada fica entre 4/5€. Este parque oferece uma experiência completamente fora do contexto do resto da cidade, na minha opinião vale a pena visitar somente se passarem mais que 3 dias em Viena. Há tanto para ver e fazer que acho mesmo que o melhor a fazer em tão pouco tempo é perderem-se pela cidade mais mágica de sempre.

QUESTÕES VIA INSTAGRAM

Achaste Viena uma cidade muito cara?

Viena pode ser considerada uma cidade cara se for comparada com cidades do leste europeu (como Praga, Budapeste, Bratislava…) mas considero Viena uma cidade muito ao género de Londres, no que toca ao valor dos transportes públicos, restaurantes e supermercados. Por isso não considero que seja uma cidade muito cara.

Os transportes públicos são bons?

Os transportes são muito bons, funcionam com grande frequência e pontualidade. Um bilhete simples de metro fica por 2,40€ independentemente se vai parar perto ou mais longe.

Alguma comida a não perder?

Voltava a comer a apfelstrudel a tal sobremesa de maçã que mencionei neste artigo, simplesmente deliciosa! Para quem gosta de salsichas, há um género salsichas gigantes no pão, tipicamente de street food, que vi muita gente a comer.

Onde ficaste hospedada? Qual o preço médio por noite?

Estive 3 dias em Viena, no 1º dia fui de comboio a partir de Bratislava, capital da Eslováquia, demorou cerca de 1h, sendo que ao final do dia regressei. Durante o período de férias, fiquei tão apaixonada pela cidade que decidi voltar e ficar lá a dormir para realmente tirar todo o proveito da minha viagem. Vou ser sincera, não procurei muito pelo melhor hotel no que toca qualidade/preço. Procurei no Booking.com (cliquem no site para ter 10% desconto) vários hoteis próximos ao centro e mesmo no próprio dia, decidi na hora que ia ficar no Carlton Hotel, ao que não me arrependo nada, dormi super confortável, o quarto tinha tudo o que precisava, até boa luz, paisagem linda e um pequeno almoço maravilhoso, essa noite custou-me 97€ mas vi que para esse mesmo dia em cima da hora havia opções mais económicas, 45€ por exemplo, mas realmente estava a precisar de algum conforto dada a minha estadia em Bratislava não ter sido tããão descansada. Acredito que com tempo façam uma boa seleção.

O que mais gostaste e o que gostaste menos de visitar?

Adorei imenso Shonbrunn! Não consigo dizer o que menos gostei em Viena, será que estou apaixonada?

Tencionas voltar?

Com toda a certeza que irei voltar.

A comunicação é fácil?

Super educados, elegantes e sim, sabem falar Inglês, ao contrário de Budapest onde para mim foi um tremendo desafio comunicar. Em Viena a língua materna é o Alemão, no entanto comuniquei com a maior das facilidades em Inglês. Fui muito bem recebida.

O café é bom?

Caríssimo, mas de uma qualidade, cuidado! Muito bom!